O lado certo da História

A vitória da Ucrânia no Festival da Eurovisão vai dar mais um sinal inequívoco do apoio da população europeia à justa causa da Ucrânia perante a agressão do ditador Putin.

Nos anos que antecederam a Segunda Guerra Mundial e mesmo durante a guerra não era possível obter informação fidedigna e em tempo real sobre as atrocidades cometidas por Hitler. No entanto esta dificuldade não desculpa a cobardia e incapacidade de liderança de políticos como Pétain ou Chamberlain, relativamente aos quais a História veio demonstrar mais uma vez a relevância do conhecido provérbio popular "quem muito abaixa a cabeça acaba mostrando a calcinha". Nessa altura, como hoje, a coragem e a inteligência que se exige aos líderes políticos de antecipar riscos e agir preventivamente em vez de remediar ao sabor dos acontecimentos teria certamente evitado muitos horrores e sofrimento.

Em 2022 é muito mais fácil estar do lado certo da História. A tecnologia combinada com a liberdade de expressão permite-nos ver e testemunhar praticamente em tempo real o que está a acontecer no mundo. Permite-nos formar opinião e escrutinar as evidências com critérios objetivos e científicos. Permite-nos, neste caso de modo inquestionável, identificar Putin como o agressor, o violador da ordem internacional, dos direitos humanos e o responsável por crimes contra a humanidade.

Esta evidência não seria no entanto de per si suficiente, não fora a coragem de um Homem, Vladimir Zelenski, que, pelo exemplo, conseguiu mobilizar todos os países ocidentais onde a liberdade continua a ser um valor inquestionável a apoiar ativamente a Ucrânia, não adotando as estratégias dos Pétain's deste mundo que se refugiam sempre em argumentos egoístas de prudência de curto prazo que sistematicamente conduzem a maiores horrores e sofrimento no longo prazo, ou de oportunistas sem princípios que olham para o tabuleiro de guerra apenas como um jogo geopolítico.

Combater a injustiça e o horror de uma invasão não provocada não é negociável e cabe-nos a todos como cidadãos responsáveis do mundo colocarmo-nos decididamente do lado certo da História e não ceder a chantagens apocalípticas que acabarão por acontecer de qualquer maneira se não formos determinados.

Alguns facebookianos da treta imediatamente começaram a dizer que a vitória da Ucrânia na Eurovisão foi manipulada, fraudulenta e vergonhosa. Se bem que não mereçam um segundo de atenção, é importante desmontar argumentos incompetentes e facciosos de pessoas que só defendem a democracia quando o resultado lhes agrada:


  • A votação consiste em dois conjuntos de votos, cada um com o peso de 50%, sendo o primeiro conjunto correspondente a júris nacionais de especialistas e o segundo conjunto aos votos nacionais do público, expressos país a país, exatamente da mesma forma, atribuindo pontos às 10 canções preferidas por ordem decrescente de preferência (12, 10, 8, 7, 6, 5, 4, 3, 2 e 1 pontos), não podendo nenhum país atribuir votos a si próprio.

  • Este sistema foi instituído há vários anos e, naturalmente, pode conduzir a que a canção do país mais votado pelo júri de especialistas não ganhe o Festival da Eurovisão se a votação do público for suficiente para inverter esse resultado.

  • Tal aconteceu exatamente em 2021 em que ganhou a canção da Itália, apesar de ter terminado em quarto lugar na votação do júri de especialistas, compensada pelo voto do público. Este facto não gerou no ano passado quaisquer reações dos tais facebookianos da treta.

  • Em 2022 aconteceu exatamente o mesmo: a canção da Ucrânia terminou em quarto lugar após a votação do júri de especialistas e passou para primeiro lugar após a votação do público. Tudo certo e de acordo com as regras, apesar de tentativas documentadas de hackers russos de interferir na votação.


Saudemos assim a Ucrânia e faço votos para que a vitória na eurovisão ajude o povo ucraniano a manter uma atitude positiva e determinada perante uma agressão cruel baseado em mentiras!

Luis Simões da Silva h 1 mês