Amarsul. Sindicato fala em 75% de adesão à greve

A adesão à greve dos trabalhadores da Amarsul - Valorização e Tratamento de Resíduos Sólidos foi esta quinta-feira de 75% nos ecoparques do Seixal e Palmela, segundo fonte sindical, mas a empresa garante que não superou os 35% no primeiro turno.

Esta quinta-feira é o quarto dia de greve dos trabalhadores da Amarsul, que presta serviços em municípios da Península de Setúbal, pelo aumento geral dos salários, bem como dos subsídios de refeição e de transporte em vigor na empresa.

A greve foi decretada pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Administração Local e Regional, Empresas Públicas, Concessionarias e Afins e pelo Site-Sul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul.

Ana Lúcia, delegada sindical do Site-Sul - Sindicato dos Trabalhadores das Indústrias Transformadoras, Energia e Atividades do Ambiente do Sul, explicou em declarações à agência Lusa que, no Seixal e em Palmela, a adesão é na ordem dos 75%.

A delegada sindical adianta que as viaturas das autarquias que se têm deslocado ao ecoparque do Seixal estão a ser escoltadas pela polícia.

No ecoparque de Setúbal, assegura, a adesão é na ordem dos 100%.

A empresa Amarsul, por seu turno, referiu em comunicado enviado à agência Lusa que a adesão à greve foi de cerca 51% nos dois primeiros dias de greve e que esta quinta-feira o valor é de 35%, indicando que são dados preliminares referentes ao período da manhã.

"As viaturas municipais que se dirigiram hoje [quinta-feira] de manhã às instalações da Amarsul tiveram as portas abertas e estão a entrar, de forma ordeira e pacífica, para descarregar os resíduos urbanos recolhidos", explica a empresa.

No feriado, adianta a empresa, registou-se uma adesão de 86%, estando menos pessoas a trabalhar nesse dia.

Na quarta-feira, feriado nacional, segundo os sindicatos, os trabalhadores que asseguraram o piquete de greve nos ecoparques de Palmela e do Seixal "foram surpreendidos por uma intervenção inapropriada e inusitada das autoridades policiais".

Segundo a Amarsul, desde o início da greve já foram registadas 138 entradas de viaturas municipais de recolha de resíduos, provenientes dos municípios de Alcochete, Almada, Barreiro, Palmela, Moita, Montijo, Sesimbra e Setúbal.

Estas entradas representam 18% das entregas de resíduos urbanos, em comparação com a semana anterior.

Os serviços mínimos, adianta a empresa, já estão a ser assegurados porque foi garantida a abertura da entrada para a passagem das viaturas.

Os serviços mínimos decretados não estão relacionados com o número de descargas, mas sim com o número de pessoas a trabalhar, e que estão definidos como 20 trabalhadores operacionais nas áreas críticas", explica.

A Amarsul refere ainda que mantém o acompanhamento desta situação, considerando o estado de calamidade em vigor e a necessidade de manter o serviço público essencial que assume particular importância no contexto de pandemia.

https://observador.pt/2021/11/30/servicos-minimos-nao-estao-a-ser-respeitados-na-greve-na-amarsul-revela-empresa/

A empresa é responsável pelo tratamento e valorização dos resíduos urbanos dos nove municípios da Península de Setúbal (Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal).

Em julho de 2015, a Amarsul passou a integrar o grupo Mota Engil por via da aquisição da Empresa Geral de Fomento (EGF), detentora de 51% do capital social da Amarsul.

Face à greve, as autarquias têm emitido comunicados às populações.

A Câmara Municipal do Seixal mostrou-se contra o "deficiente funcionamento" da Amarsul e a gestão da recolha de resíduos, degradada pela falta de investimento.

A autarquia de Almada emitiu hoje um comunicado a indicar que se preveem atrasos significativos nas recolhas dos ecopontos efetuadas pela Amarsul, podendo ainda registar-se constrangimentos na entrada em aterro para descarregar as suas viaturas de recolha.

O município da Moita também alerta para os condicionalismos na recolha de resíduos urbanos devido aos constrangimentos na entrada em aterro para descarregar as viaturas de recolha, apelando por isso à compreensão da população.

Em Alcochete, a autarquia refere que na quarta-feira não foram cumpridos os serviços mínimos no aterro sanitário onde as viaturas do município vão depositar os resíduos recolhidos dos contentores (Palmela), colocando em causa o bem-estar das populações.

Segundo a autarquia, os serviços camarários têm estado impedidos de descarregar os seus veículos, pelo que a situação tem-se agudizado no espaço público dos nove concelhos da Península de Setúbal.

Em Sesimbra, a autarquia apelou a todos os munícipes e empresários para que, até ao final da greve, na sexta-feira, limitem ao essencial a produção de resíduos.

Agência Lusa h 7 meses