Papa disse a D. José Ornelas para continuar

O Papa Francisco elogiou o esforço português nas investigações aos casos de abusos sexuais no seio da Igreja Católica e encorajou D. José Ornelas, bispo de Leiria-Fátima e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, a continuar nos cargos apesar de estar a ser investigado após uma denúncia de ter encoberto caso de abuso sexual que chegou à Presidência da República e que está a ser analisada pelo Ministério Público.

Em entrevista à RTP3, no programa "Grande Entrevista" com o jornalista Vítor Gonçalves, D. José Ornelas revelou que partilhou com o líder da Igreja Católica os contornos do caso em que ele mesmo se viu envolvido. O caso tem mais de dez anos e diz respeito ao comportamento de um padre que pertencia uma congregação liderada pelo bispo num orfanato em Moçambique.

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As notícias que davam conta dos alegados encobrimentos foram publicadas no mesmo dia em que D. José Ornelas estava no Vaticano para se encontrar com o Papa Francisco, no sábado passado, numa audição previamente marcada,

"Mostrei ao Papa", admitiu o bispo:

E ele disse: ''Olha, tu tens de saber o que fizeste e como é que fazes. As interpretações sobre as nossas coisas podem variar. Tu tens de saber quais são os teus objetivos, para o que é que estás a trabalhar, se está correto e, se há alguma coisa a dizer, pedes desculpa. Mas não vais deixar de fazer aquilo que fazes''". "Isso de me demitir, se calhar era mais cómodo. Mas não é assim", acrescentou D. José Ornelas.

O bispo disse ter descrito ao Papa Francisco a atuação da Igreja Católica portuguesa no caso. E afirmou que o pontífice o aconselhou a continuar na presidência da Conferência Episcopal Portuguesa, porque Portugal estava a desenvolver um "bom trabalho" com a comissão independente de investigação de abusos sexuais. "Acho que estão a fazer um trabalho consciente e importante para vocês, para o país e para a Igreja. Por isso, vai para a frente", terá dito o Papa Francisco ao bispo português.

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D. José Ornelas garantiu assim que a sua demissão nunca esteve em cima da mesa na conversa com o Papa e considerou que fez tudo o que estava ao seu alcance perante as denúncias de abusos sexuais em Moçambique de um padre que passou por Portugal: "Não tenho absolutamente razão nenhuma para isso. Se me quiserem tirar, muito bem. Agora, eu não vou retirar-me porque acho que, nestas coisas, deve-se fazer trabalhar as instituições competentes. E que as decisões devem ser tomadas de acordo com as responsabilidades que se têm".

Marta Leite Ferreira h 1 mês