Detetado caso de gripe aviária H5N1 em Espanha

Um funcionário de uma exploração avícola em Guadalajara é o primeiro caso confirmado de infeção pelo subtipo H5N1 do vírus influenza em Espanha. É o segundo caso de gripe A confirmado em humanos na Europa, depois de ter sido encontrada uma pessoa infetada no Reino Unido em dezembro do ano passado.

O caso espanhol foi detetado pelo Centro Nacional de Microbiologia a 27 de setembro durante uma testagem em massa aos funcionários de uma empresa onde se detetaram focos de gripe aviária nos animais explorados – neste caso, galinhas – dez dias antes.

Ambos os casos confirmados evoluíram de modo favorável e recuperaram da infeção. São o resultado daquele que é já, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC), o maior surto de gripe do subtipo H5N1 de que há registo na Europa.

Há duas categorias de gripe A em função da gravidade: a de baixa patogenicidade e a de alta patogenicidade, que é de notificação obrigatória ao ECDC e à Organização Mundial de Saúde (OMS). A infeção detetada em Espanha enquadra-se no segundo caso. As autoridades espanholas já notificaram o ECDC e a OMS.

Numa reação divulgada pela Science Media Center, Aitor Nogales González, virologista do Centro de Investigação em Saúde Animal, explicou esta é uma doença altamente contagiosa provocada por um vírus cujos hospedeiros naturais são as aves selvagens, especialmente as aquáticas.

Embora a gripe aviária de alta patogenicidade seja de vírus que afetam principalmente aves, eles às vezes atravessam a barreira das espécies e infetam outras espécies de mamíferos, incluindo humanos", confirmou o cientista.

Desde que foi detetado em aves em Guangdong (China) em 1996, e depois num primeiro caso em humanos no ano seguinte, o vírus do subtipo H5N1 de alta patogenicidade foi encontrado em cerca de 900 pessoas e apresentou uma mortalidade de 50% a 60%. Nenhum dos casos tinha sido detetado em Espanha até agora.

O risco para a população em geral é considerado baixo porque "nenhuma transmissão sustentada de humano para humano foi detetada", sublinhou Aitor Nogales González. As infeções com este vírus devem-se habitualmente a um contacto próximo com aves infetadas.

Mas o número "incomum" de surtos de gripe aviária nesta época gripal na Europa e em todo o mundo "obriga-nos a estarmos muito conscientes", apelou o virologista: "A próxima pandemia de gripe não é provável, é quase certa. Portanto, não é uma questão de se vai acontecer ou não. A questão é quando acontecerá e como começará".

Marta Leite Ferreira h 1 mês