Jornalista russo morre misteriosamente

A morte de um jornalista russo que nos últimos tempos publicou algumas reportagens sobre mercenários russos na Síria está envolta em mistério. Maxim Borodin, 32 anos, foi encontrado no chão, a 12 de abril, junto ao edifício onde vivia, em Yekaterinburg, depois de ter caído do quinto andar. Estava gravemente ferido e foi levado para o hospital. Acabou por morrer.

Segundo a BBC, as autoridades dizem que tudo indica não haver mão criminosa no caso. No entanto, avançam, Borodin não deixou qualquer nota de despedida -- como acontece nalguns casos de suicídio, pelo que pode também ter sido uma morte acidental.

As declarações de um amigo do jornalista, porém, indiciam outro cenário. É que, no dia anterior à sua morte, Vyacheslav Bashkov garante ter recebido uma chamada telefónica do amigo à procura de um advogado. Dava-lhe conta de que havia "alguém com uma arma na varanda da sua casa e algumas pessoas vestidas com camuflados e máscaras nas escadas de serviço", descreveu. E que deviam estar à espera para obter um mandado de busca à sua casa. Eram 5h00 do dia 11 de abril. Mais tarde voltou a ligar a dizer que, afinal, tratava-se de um exercício policial. Também o chefe de Borodin, que trabalhava no jornal russo Novy Den, não acredita que ele tenha sido vítima de um acidente ou que tenha posto termo à vida.

As autoridades dizem, por seu turno, que a porta de casa do jornalista estava trancada por dentro, indicando que ninguém terá entrado ou saído do local.

Nas últimas semanas o jornalista escreveu sobre a unidade militar "Wagner Group", que conta com mercenários russos que vão combater para a Síria ao lado das forças locais e na qual já existiram várias baixas. Na semana passada, um responsável da CIA informou que duas centenas de mercenários russos tinham perdido a vida num ataque com combatentes pró Síria. Borodin andava a investigar quem eram e de onde vinham estes homens.

Observador h 9 dias