Jota assiste, Liverpool vence e título fica adiado

Por um lado, havia a teoria do "copo meio cheio, copo meio vazio". Ou seja, tão depressa o Liverpool podia aproveitar o deslize do Manchester City em Londres frente ao West Ham (2-2 e a perder 2-0 ao intervalo) como, no limite, podia perder todas as hipóteses de chegar ainda ao título na Premier League – ou deixar tudo resolvido de forma virtual, a não ser que um qualquer tsunami invadisse os relvados de Inglaterra e permitisse que os reds recuperassem uma diferença de sete golos em relação aos citizens. Por outro, havia uma outra "teoria" de ter ou não ter água. Ao 61.º jogo oficial da temporada, a que se somam ainda todos os compromissos das seleções, o Liverpool não tinha. Nem água nem ar. E Jürgen Klopp nem disfarçou.

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"Como é que estão os jogadores? Estão bem, a dormir nas camas de massagens. Estamos aqui agora já com duas competições ganhas e existe uma razão para isso. Uma só: temos um grupo de jogadores que esteve sempre focado, que se manteve na linha e que criou uma atmosfera excecional. C''mon, nós jogámos mais 120 minutos no sábado e vamos jogar outra vez terça-feira, é demasiado... Vamos ver o que acontece, não podemos esperar para ir jogo e quem entrar vai dar tudo", comentara a esse propósito, confirmando pelo menos as baixas de Van Dijk e Salah por lesão entre outras possíveis ausências. "Hipóteses de chegar ainda ao título? Nem me lembro da última vez que o City perdeu pontos em jogos seguidos...", acrescentou.

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A certa altura desta longa caminhada em várias frentes, o técnico alemão fez uma reflexão importante e que chegou à equipa a propósito da importância das vitórias. Na sua opinião, a questão de jogarem ou não o melhor futebol em Inglaterra dizia e representava pouco porque aquilo que ficaria depois para a história e seria recordado eram os títulos. A equipa respondeu, em triunfos tirados a papel químicos nos penáltis em Wembley frente ao Chelsea na final da Taça da Liga e da Taça de Inglaterra, tendo ainda o encontro decisivo da Liga dos Campeões. Dois ganhos, uma terceira possível vitória e logo europeia. Mas ainda havia a Premier League, com contas complicadas mas não impossíveis. Klopp olhou para o cenário... e rodou.

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Olhando para o onze inicial da final da Taça de Inglaterra, sobraram apenas Alisson e Konaté, um dos menos desgastados ainda assim. Alexander-Arnold, Van Dijk, Salah e Mané ficaram de fora da lista (tal como Fabinho), Robertson, Henderson, Thiago, Naby Keita e Luis Díaz começaram no banco. Pode ter sido por não dar mais, pode ter sido pela descrença no título, mas o Liverpool entrava como uma espécie de versão B no duelo frente ao Southampton, que jogara há dez dias mesmo não estando no melhor período. Até sofrendo primeiro, até sem muitas das estrelas, os reds não vacilaram e levaram o título para a última jornada, onde recebem o Wolverhampton da armada portuguesa e esperam que o Manchester City empate ou perca no Etihad Stadium frente ao Aston Villa que é agora treinado por... Steven Gerrard.

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Os saints começaram com a corda toda o encontro, aproveitando a falta de ligação de jogo dos reds e ainda os erros na ocupação de espaços nas transições. Broja, o avançado albanês cedido pelo Chelsea, deixou um primeiro aviso com boa defesa de Alisson (10''). Redmond não perdoou: mais um lançamento na frente pela esquerda, diagonal para o meio e remate cruzado a sofrer ainda um pequeno desvio e a entrar quase no ângulo da baliza do internacional brasileiro entre muitos protestos de Klopp por uma possível falta no início da jogada sobre Diogo Jota que o VAR também não sancionou (13''). Naquele minuto, o Manchester City era campeão. Naquele minuto, o Liverpool começou a jogar para o Manchester City não ser campeão.

[Clique nas imagens para ver os golos do Southampton-Liverpool em vídeo]

É também essa forma de estar em campo que explica a temporada que o conjunto de Anfield tem feito e voltou a surgir de forma expressiva no St. Mary''s Stadium. Firmino viu um golo anulado após livre lateral por fora de jogo (18''), Minamino empatou com um míssil ao ângulo na área após assistência de Diogo Jota (27''), Milner obrigou McCarthy a uma defesa apertada logo a seguir (29'') e houve mais aproximações que sem finalização ameaçaram ser potenciais oportunidades entre uma má notícia que foi a lesão de Joe Gómez, que estava como lateral direito para onde passaria James Milner. Ao intervalo, o Liverpool tinha uma superioridade de 12-1 em remates, de 5-0 em cantos, de 73%-27% na posse de bola, de 357-135 em passes conseguidos (e 89%-71% na eficácia dos mesmos). Contudo, o empate mantinha-se.

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O Southampton teria de mostrar algo mais no plano ofensivo até por forma a evitar que o Liverpool fosse de novo acampar no meio-campo contrário sem deixar que a bola saísse dali. E ainda teve dois esboços de saídas rápidas que podiam levar perigo, ambas sem remate. No entanto, com períodos mais ou menos intensos, repetiu-se a última meia hora da primeira parte, com Diogo Jota a rematar a rasar o poste após assistência de Tsimikas (48'') e Elliott a atirar forte mas às malhas laterais (56''). O golo da reviravolta tardava em surgir mas, já com Origi em campo, Matip, num desvio de cabeça a meias com o lateral Walker-Peters, conseguiu finalmente o 2-1 para a explosão de autêntica multidão que se deslocou de Liverpool. O mais complicado estava feito e todas as decisões ficam agora adiadas para domingo (16h).

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Bruno Roseiro h 1 mês